Como morte de caseiro em SP virou investigação complexa com corpos achados em MG, sequestro de família e filha desaparecida

  • 19/07/2026
(Foto: Reprodução)
Entenda o caso da morte do caseiro e do sequestro de família em Franca, SP O assassinato do caseiro Milton de Sousa Prado, de 44 anos, em junho, em Franca (SP), deu origem a uma investigação que, em pouco mais de um mês, passou a envolver três mortes confirmadas, um sequestro, ocultação de cadáver, um carro queimado, indiciamentos e o desaparecimento de Maria Isabel Prado, filha dele. Maria Isabel, de 21 anos, é investigada pela Polícia Civil por suspeita de participação na morte do pai, Milton, e de Rafael Vitor Silva de Sousa Rosa, de 18 anos, e Guilherme Henrique Melo da Cruz, de 22 anos. Segundo a polícia, Rafael e Guilherme são suspeitos da agressão que resultou na morte de Milton a mando de Maria Isabel. Eles foram encontrados mortos em Sacramento (MG) (veja vídeo acima). Ao mesmo tempo, Maria Isabel também aparece no inquérito como vítima do sequestro da própria família. Ela foi levada antes de a mãe, a irmã adolescente e a sobrinha recém-nascida serem resgatadas pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Franca, no dia 7 de julho. Até a última atualização desta reportagem, Maria Isabel seguia desaparecida. A Polícia Civil trabalha com a possibilidade de ela ter sido morta, mas ainda não há confirmação do paradeiro. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Maria Isabel Prado é investigada pela morte do próprio pai e dos envolvidos no crime Reprodução/EPTV Linha do tempo do caso 16 de junho: O caseiro Milton de Sousa Prado é morto em uma chácara onde trabalhava em Franca. 25 de junho: segundo o inquérito, Maria Isabel confessa à polícia que pediu a Rafael e Guilherme que dessem um “corretivo” no pai, que resultou no assassinato. Fim de junho: Rafael e Guilherme desaparecem. 5 e 6 de julho: Maria Isabel, a mãe, a irmã adolescente e a sobrinha recém-nascida dela são sequestradas pela tia de um dos jovens desaparecidos. Elas foram levadas a diferentes endereços de Franca e pressionadas a dizer onde estavam os dois jovens, segundo a investigação. 7 de julho: a Polícia Civil resgata a mãe, a irmã e a sobrinha de Maria Isabel em um cativeiro no Jardim Aeroporto III. Maria Isabel não é localizada. Um homem é preso em flagrante suspeito de vigiar o lugar. 9 de julho: os corpos de Rafael e Guilherme são encontrados em Sacramento (MG). Depois da localização dos corpos, um tio de Maria Isabel, irmão de Milton, é preso em Minas Gerais por ocultação de cadáver. 10 de julho: o carro de Maria Isabel é encontrado queimado perto de Ibiraci (MG). 16 de julho: a Polícia Civil formaliza indiciamentos no inquérito que apura o sequestro da família. LEIA MAIS Filha de caseiro morto em Franca, SP, é investigada pela morte do pai, de homens ligados ao crime e por sequestro de parentes Suspeitos de assassinato de caseiro em Franca, SP, são encontrados mortos em MG Polícia Civil liberta mulher, filha e neta recém-nascida de cativeiro em Franca, SP Como Milton morreu? Milton de Sousa Prado foi encontrado morto em junho em uma chácara onde trabalhava como caseiro, em Franca. Segundo a Polícia Civil, ele foi agredido a pauladas. A morte passou a ser investigada pela DIG. No início da apuração, Maria Isabel era tratada como testemunha. Depois, segundo a polícia, ela prestou depoimento e confessou que havia pedido a Rafael e Guilherme que dessem um “corretivo” no pai. De acordo com o inquérito, a jovem alegou que ela e a irmã adolescente eram agredidas pelo pai. Ainda segundo o depoimento, Maria Isabel teria tomado conhecimento da morte do pai somente depois, ao questionar um dos jovens sobre o que havia acontecido e ouvir que ele havia “feito o serviço”. Quem eram Rafael e Guilherme? Rafael Vitor Silva de Sousa Rosa e Guilherme Henrique Melo da Cruz passaram a ser investigados como envolvidos na agressão que terminou com a morte de Milton. O inquérito aponta Rafael como namorado da irmã adolescente de Maria Isabel. Depois da morte de Milton, Rafael e Guilherme desapareceram. Segundo relato da mãe de Maria Isabel à polícia, Rafael se afastou da adolescente após Maria Isabel confessar o “corretivo” no pai. Os desaparecimentos dele e de Guilherme geraram ameaças à família de Milton, de acordo com a investigação. Suspeitos de homicídio em Franca (SP), Rafael Vitor Silva, de 18 anos, e Guilherme Henrique Melo, de 22, foram encontrados mortos em Sacramanto (MG) Redes sociais Como o sequestro entrou no caso? O sequestro da família é tratado pela Polícia Civil como um desdobramento do desaparecimento de Rafael e Guilherme. Segundo o inquérito, familiares dos jovens passaram a cobrar a família de Milton pelo paradeiro dos dois. A investigação aponta Noemi Vitória de Sousa Rosa, tia de Rafael, como uma das principais suspeitas de articular a ação. A polícia pediu a prisão dela. Segundo os depoimentos, ela foi à casa da família acompanhada de outras seis mulheres, exigido informações sobre Rafael e Guilherme. A mulher também ficou com celulares e senhas das vítimas e coordenou deslocamentos por diferentes endereços de Franca. Restos de alimentos consumidos por família mantida em cárcere privado em Franca, SP Divulgação As vítimas foram levadas para uma casa no Jardim Aeroporto III, onde ficaram em cárcere privado. A mãe de Maria Isabel, a irmã adolescente e a bebê recém-nascida foram resgatadas pela DIG no dia 7 de julho. Maria Isabel também estava entre as pessoas sequestradas, segundo o inquérito, mas foi retirada do local antes da chegada da polícia. Desde então, não foi localizada. Wellington Amorim da Silva foi preso em flagrante no imóvel onde as três vítimas foram encontradas. O inquérito aponta que ele era responsável por vigiar o cativeiro. Segundo a Polícia Civil, ele tentou fugir, quebrou o próprio celular durante a fuga e se apresentou com outro nome antes de ser identificado. Wellington teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça. A mãe de Maria Isabel reconheceu objetos apreendidos com ele, como uma botina e uma blusa, como os usados pelo homem que vigiava as vítimas. Homem preso por fazer segurança de cativeiro em Franca, SP Lindomar Cailton/EPTV Quem foi indiciado pelo sequestro? A Polícia Civil formalizou o indiciamento de Wellington no inquérito que apura o sequestro da família Segundo a investigação, há indícios suficientes de autoria contra Noemi e outras cinco mulheres. Na audiência de custódia, Wellington foi representado pela Defensoria Pública. Até a última atualização desta reportagem, o g1 não localizou a defesa de Noemi. O inquérito apura os crimes de associação criminosa, sequestro e cárcere privado, roubo majorado, fraude processual, falsa identidade e resistência. A atribuição de cada crime depende da conduta apontada pela polícia a cada investigado. Como Rafael e Guilherme foram encontrados? Os corpos de Rafael e Guilherme foram encontrados em uma área rural de Sacramento (MG), no dia 9 de julho. A Polícia Civil de Franca apura se os dois foram mortos em Franca e tiveram os corpos levados para Minas Gerais. Um tio de Maria Isabel, irmão de Milton, foi preso em Sacramento por ocultação de cadáver. Segundo relatório da investigação, ele confessou ter ajudado a ocultar os corpos. Ainda de acordo com o documento, o homem disse que Maria Isabel ligou para ele no fim de junho e pediu ajuda para esconder os corpos. Com base nesse relato, a Polícia Civil aponta Maria Isabel como diretamente envolvida nas mortes de Rafael e Guilherme. A mãe de Maria Isabel, no entanto, disse em depoimento que não acredita na participação da filha nas mortes dos dois jovens e afirmou que ela nunca comentou intenção de matá-los. O que aconteceu com o carro de Maria Isabel? Carro usado por Maria Isabel foi encontrado queimado em MG Reprodução/EPTV O carro de Maria Isabel foi encontrado totalmente queimado em uma propriedade rural perto de Ibiraci (MG). A Polícia Civil apura se o veículo foi usado para transportar os corpos de Rafael e Guilherme até Sacramento e depois incendiado para destruir vestígios. Imagens de câmeras de segurança em Rifaina (SP), na divisa com a cidade mineira, também passaram a integrar a investigação. Elas mostram o carro seguindo em direção a Minas Gerais. A imagem, por si só, não comprova que havia corpos no veículo. Maria Isabel está morta? Não há confirmação oficial da morte de Maria Isabel. O inquérito aponta a possibilidade de ela ter sido morta por participantes do sequestro, mas a Polícia Civil ainda trata o caso como desaparecimento. Segundo o relatório policial, a sequência investigada é: homicídio de Milton, desaparecimento de Rafael e Guilherme, sequestro de Maria Isabel e de familiares, resgate de três vítimas, encontro dos corpos dos dois jovens, localização do carro queimado e permanência de Maria Isabel desaparecida. O documento também levanta a hipótese de que familiares de Rafael e Guilherme tenham pedido ajuda de integrantes do crime organizado para pressionar Maria Isabel. Polícia de Franca (SP) procura mulher suspeita de envolvimento em 3 homicídios Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/07/19/como-morte-de-caseiro-em-sp-virou-investigacao-complexa-com-corpos-achados-em-mg-sequestro-de-familia-e-filha-desaparecida.ghtml


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