Escola forma jovens contra o machismo e violência contra a mulher no interior de SP

  • 13/08/2026
(Foto: Reprodução)
Escola estadual forma jovens contra o machismo e violência contra a mulher em São Carlos Antes mesmo da vida adulta, estudantes da Escola Estadual Professor João Batista Gasparin, em São Carlos (SP), aprendem que respeito, igualdade de gênero e combate à violência contra a mulher também fazem parte da educação. 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram Além de integrar o tema às disciplinas, a unidade mantém o coletivo feminino "Extraordinárias", onde alunas promovem debates sobre saúde da mulher, autonomia financeira, representatividade, participação política e enfrentamento à violência de gênero. As discussões também acontecem em tutorias, clubes juvenis e outras atividades do Programa Ensino Integral (PEI), criando espaços de diálogo e reflexão sobre machismo, direitos humanos e relações de respeito. O objetivo é fazer com que os estudantes reconheçam diferentes formas de violência e levem esse aprendizado para além dos muros da escola. 📺 A EPTV, afiliada da TV Globo, exibe a série especial 'Dona Penha'. Com 10 episódios, a produção é destaque de segunda a sexta-feira, do dia 3 ao dia 14 de agosto, no EPTV1. As reportagens falam dos 20 anos da Lei Maria da Penha e o combate à violência contra mulher. Alunos da escola Professor João Batista Gasparin, de São Carlos (SP), têm aulas sobre machismo e violência contra a mulher Reprodução EPTV Leia também: VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: 'Ele não destruiu só a vida dela, destruiu a nossa': a dor de famílias após feminicídios LEVANTAMENTO: Três cidades com mais feminicídios não têm Delegacia da Mulher no interior de SP; relembre casos MARIA DA PENHA: 'O que você fez para provocar?': professora agredida lembra humilhação e silenciamento antes da Lei Maria da Penha Não é não A estudante Nathaly Augusta Tomali resume um dos principais aprendizados do projeto. "Não, é não. Não tem por que ficar insistindo em uma coisa que ela não quer", disse. O objetivo é formar jovens capazes de reconhecer comportamentos abusivos e construir relações mais respeitosas. Para a estudante Brenda Sofia Miguel Meira, ainda é comum ver mulheres sendo diminuídas apenas por serem mulheres. "Eu não fico calada, mas mesmo assim ainda fico com raiva. Só diminuir a mulher, falar que ela não consegue fazer as coisas porque é mulher" ,comentou a aluna. Estudantes da Escola Estadual Professor João Batista Gasparin, em São Carlos (SP), aprendem que respeito, igualdade de gênero e combate à violência contra a mulher Reprodução/EPTV Meninos contra o machismo e a violência Entre os meninos, as discussões também provocam mudanças de comportamento. O estudante Henrique Cardoso da Silva afirma que, além de respeitar as mulheres, aprendeu que é preciso agir diante de situações de violência. Henrique comentou que já presenciou episódio de violência contra a mulher. "Eu já respeito, mas agora eu entendo que meu papel é proteger também", comentou. Outro grupo de estudantes destaca que a violência também aparece nas agressões verbais e no ambiente escolar. "Ficar xingando a pessoa, zoando ela na escola, batendo nela, 'ela vai se sentir ofendida. Ela pode até parar de vir para a escola", disse Victor Hugo de Oliveira Santana. Entre os meninos, as discussões também provocam mudanças de comportamento em escola de São Carlos Reprodução/EPTV Misoginia nas redes sociais As discussões também abordam o crescimento do discurso de ódio contra mulheres nas redes sociais. Para os alunos, a internet não pode servir de justificativa para ataques. "Pra mim, nenhuma agressão é justificável. Acho que são covardes", afirma um dos estudantes ao comentar grupos que disseminam conteúdo misógino nas redes sociais. Hoje, a misoginia ainda não é crime autônomo no Brasil. O termo costuma aparecer associado a crimes ou situações já previstos em lei, como violência doméstica, feminicídio, injúria, ameaça, assédio moral ou discriminação. O debate ocorre enquanto tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei que busca equiparar a misoginia ao crime de racismo, tornando a prática inafiançável e imprescritível. ⚖️ O projeto de lei em discussão prevê pena de 2 a 5 anos de reclusão e multa para crimes praticados em razão de misoginia. Também prevê suspensão temporária de contas em redes sociais que veiculem conteúdo ilícito, agrava penas para crimes com fins de engajamento ou monetização e inclui agravantes quando a vítima for criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência. Respeito e proteção Já o estudante Henrique Cardoso da Silva acredita que o respeito deve ser acompanhado de uma postura ativa. "Eu entendo que agora é proteger também", afirmou. O estudante Isaque Souza Jerônimo considera importante que esse tipo de discussão aconteça dentro da escola. Outro aluno contou que chegou a conversar com colegas que reproduziam ofensas contra mulheres na internet e que os próprios pais tomaram providências. "Tem muita gente com ideia errada por trás das telas. Eu fui falar com os pais deles. Deixaram ele uns dias sem mexer no computador", disse. Para Octávio Miguel da Silva Marques, combater a violência também é responsabilidade de quem presencia uma situação de desrespeito. "Minha mãe me ensinou: nunca rele a mão em uma mulher. Agora, se eu vejo que está acontecendo alguma coisa, vou tentar intervir", disse. Da escola para casa Segundo o diretor da escola, Luciano Redondo Mendes de Almeida, o trabalho também busca envolver as famílias. A proposta é ampliar as discussões durante as reuniões de pais para que os temas debatidos na escola também cheguem às casas. "O projeto é ampliar essa formação para os pais. Hoje os alunos têm um posicionamento mais firme, entendem o que é machismo e conhecem os diferentes tipos de violência contra a mulher. Em muitos casos, percebemos uma mudança na postura dos estudantes e também das famílias", afirmou. O diretor conta que muitos alunos convivem diariamente com situações de violência dentro de casa."Eu tenho muita criança aqui na escola cujos pais brigam, batem na mãe, xingam, e ela quer reproduzir a mesma coisa na escola", disse. Lei Federal A inclusão do tema no ambiente escolar é prevista pela Lei Federal 14.164/2021, que instituiu a Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher e determinou a inserção de conteúdos sobre prevenção da violência contra mulheres nos currículos da educação básica, especialmente nas áreas de Ciências Humanas. Especialistas ouvidos pela série "Dona Penha", da EPTV, defendem que discutir igualdade de gênero desde a infância é uma das formas mais eficazes de prevenir futuras situações de violência e romper ciclos que, muitas vezes, começam dentro de casa. "Isso ser implementado nas escolas é muito bom porque vai florescer uma nova geração que não é tão machista", concluiu o aluno Isaque Jerônimo. REVEJA VÍDEOS DA EPTV CENTRAL: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2026/08/13/escola-forma-jovens-contra-o-machismo-e-violencia-contra-a-mulher-no-interior-de-sp.ghtml


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