Família de sargento morto em quartel diz que condenação traz alívio, mas quer PMs presos: 'Ainda não acabou'

  • 17/09/2026
(Foto: Reprodução)
Justiça Militar condena à prisão capitão e cabo acusados pela morte de sargento em quartel A condenação do capitão Francisco Carlos Laroca Júnior e do cabo Fabiano Rizzo pela morte do sargento Rullian Ricardo da Silva trouxe alívio aos familiares da vítima, mas é considerada insuficiente, já que os réus poderão recorrer em liberdade à segunda instância. Para a enfermeira Daiane Michele Fernandes da Silva, de 37 anos, irmã da vítima, a punição imposta pela Justiça Militar, com penas que chegam a 22 anos de prisão em regime fechado, é menor do que a gravidade do crime, mas é representativa. "No momento, a gente está se sentindo bastante aliviado, mesmo que essa pena veio menor. A gente queria uma pena maior, mas estamos muito aliviados. Nós acreditamos que não há nada, uma sentença maior do que deitar no travesseiro e sentir que tem sangue nas mãos", diz. Em nota, os advogados do cabo Fabiano Rizzo, Mauro Ribas e Renato Soares, informaram que vão recorrer da condenação, buscando que prevaleça o voto divergente que absolveu o réu por insuficiência de provas. Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Advogado de defesa de Laroca Junior, Abelardo Julio da Rocha informou que também vai recorrer da decisão de primeira instância da Justiça Militar. Daiane Michele Fernandes, irmã de Rullian, contesta que o sargento tivesse uma arma para uso pessoal Reprodução/EPTV Do crime à condenação O crime aconteceu em 6 de abril de 2023 dentro de um alojamento da Polícia Militar, em São Paulo. Rullian, que tinha 40 anos e integrava a corporação há 17 anos, havia sido promovido a sargento um ano antes e estava insatisfeito com a desorganização das escalas de trabalho no feriado de Páscoa. Na data dos fatos, ele pretendia folgar para visitar a família em Franca (SP), mas foi comunicado pelo capitão Laroca de que deveria assumir o plantão no final de semana, o que gerou uma discussão entre os dois militares. Segundo o relato inicial do Comando da PM, Rullian teria sacado uma arma durante a discussão, momento em que o capitão efetuou três disparos e o cabo Rizzo, motorista do oficial, atirou uma vez contra o sargento. Rullian Ricardo da Silva estava na Polícia Militar há 17 anos Reprodução/Arquivo Pessoal A vítima foi atingida no pescoço e no tórax e morreu no local. Na ocasião, um revólver calibre 32 foi retirado debaixo da coberta do beliche onde Rullian estava baleado, mas a versão de legítima defesa apresentada pelos oficiais foi contestada pela família da vítima. No julgamento realizado esta semana, o Conselho Especial de Justiça da 4ª Auditoria Militar determinou, ao capitão Laroca, as penas de 22 anos de prisão em regime fechado pelo crime de homicídio qualificado e de 11 meses de detenção para, em regime inicial aberto, pelo crime de fraude processual. Fabiano Rizzo foi condenado a 17 anos, 1 mês e 18 dias de reclusão, em regime inicial fechado, por homicídio qualificado, e a seis meses de detenção, em regime inicial aberto, por fraude processual. LEIA TAMBÉM Justiça Militar condena à prisão capitão e cabo da PM acusados pela morte de sargento em quartel MP Militar denuncia capitão e cabo da PM por morte de sargento de Franca, SP, dentro de quartel Corpo de sargento da PM morto a tiros por colega dentro de quartel será enterrado em Franca Um ano após morte de PM em quartel de SP, família pede agilidade à investigação da Corregedoria Três anos de angústia Os familiares de Rullian afirmam que viveram três anos de intensa angústia até a data do julgamento, convivendo com a sensação de impunidade. O sentimento era alimentado principalmente pelo fato de os dois policiais militares continuarem em liberdade e exercendo suas funções nas ruas durante o período de investigação. "A gente não conseguia ter paz no coração, não conseguia sentir alívio, porque o sentimento de impunidade estava muito grande, porque em três anos nada foi feito", relatou Daiane. A morte do sargento alterou a rotina da família em Franca, deixando um vazio, especialmente para a mãe do policial, de quem ele cuidava. Rullian era reconhecido pelos parentes por sua dedicação familiar, conduta honesta ao longo dos 17 anos de farda e pelo auxílio prestado aos parentes. Capitão da Polícia Militar Francisco Laroca é suspeito de atirar e matar o sargento Rullian da Silva Reprodução/EPTV "Ele deixou um legado muito especial, de uma pessoa honesta, que a gente tem que ser honesto, independente de qualquer situação. Ele foi uma pessoa muito boa, uma pessoa que procurava sempre ajudar a família", afirmou a enfermeira. Ao avaliar o desfecho do julgamento, Daiane explicou que, embora a pena fixada não reflita a gravidade do crime, a decisão ajuda a aliviar a angústia vivenciada pelos parentes. A enfermeira pontuou que a mobilização da família continua e que os parentes só ficarão satisfeitos quando os PMs envolvidos cumprirem pena na prisão. "A gente pôde sentir um pouco de alívio, mas a luta ainda não terminou, ainda continua até eles realmente estarem lá presos. Eles vão recorrer e vai pra segunda instância, mas eu creio que vamos vencer, que eles vão pagar." Sargento Rullian Ricardo da Silva foi morto dentro do quartel, em São Paulo (SP) Reprodução/Arquivo Pessoal Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/09/17/familia-de-sargento-morto-em-quartel-diz-que-condenacao-traz-alivio-mas-quer-pms-presos-ainda-nao-acabou.ghtml


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