Funcionária de buffet queimada em festa pode ter direito a indenização; família diz que falta apoio
13/03/2026
(Foto: Reprodução) Mulher queimada em festa de carnaval é transferida de hospital
Um mês após ter o corpo queimado enquanto trabalhava em uma festa de carnaval, a funcionária de buffet Jennifer Rodrigues Monteiro, de 30 anos, continua internada. O acidente aconteceu no dia 13 de fevereiro, no Clube de Campo de Mogi das Cruzes.
A família afirma que tem recebido pouco apoio após o acidente e cobra mais assistência das empresas envolvidas no evento. Segundo o advogado trabalhista Gustavo Triboni, a vítima pode ter direito a indenização. O Clube de Campo disse que "a presidência do CCMC continua acompanhando o caso dentro do que o papel institucional lhe compete". (Leia mais abaixo)
✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp
O g1 também questionou o buffet para qual Jennifer trabalhava como freelancer no dia do acidente, mas não recebeu uma resposta até a última atualização desta reportagem.
Segundo a tia dela, Adriana Rodrigues, Jennifer está estável, mas ainda depende de ventilação mecânica para respirar.
Jennifer teve o corpo queimado enquanto trabalhava em uma festa em Mogi das Cruzes
Reprodução/Redes sociais
Ainda de acordo com a familiar, a vítima precisou passar por uma traqueostomia e por cirurgias de enxerto de pele. Ela também teve uma infecção na pele, que já foi controlada.
Apesar da evolução no tratamento, Adriana afirma que o estado de saúde ainda inspira cuidados.
"Ela segue estável, mas ainda tem dificuldade para respirar sem a ventilação mecânica. O quadro continua sendo de risco", afirmou.
LEIA TAMBÉM:
Acidente com funcionária queimada em festa muda rotina de família; tia cuida dos filhos enquanto mãe segue internada
Funcionária tem 31% do corpo queimado após fogo durante festa de carnaval em clube de Mogi das Cruzes
'Implorando por remédio mais forte', diz tia de mulher queimada em festa de carnaval em Mogi das Cruzes; vítima será transferida
Mulher queimada em festa de carnaval em Mogi das Cruzes é transferida para hospital especializado em queimados
“Foi a primeira vez que ela trabalhou nesse buffet”, diz tia de mulher queimada em festa de carnaval em Mogi das Cruzes
Apoio após o acidente
A tia contou que o buffet onde Jennifer trabalhava tem dado pouco apoio à família desde o acidente.
Segundo Adriana, a empresa tem enviado alimentos, produtos de limpeza e ajuda em dinheiro para que o irmão da vítima, Felipe Estevão, consiga ir até o hospital e, em alguns momentos, pagar hospedagem.
No dia 17 de fevereiro, Jennifer foi transferida para a Santa Casa de São José dos Campos, unidade especializada no tratamento de queimados.
Já o Clube de Campo de Mogi das Cruzes, onde ocorreu o evento, não manteve contato com a família após o dia do acidente, segundo Adriana.
"Um diretor foi até o hospital no dia e disse que daria todo o suporte para as crianças dela, mas depois disso ninguém mais nos procurou", afirmou Adriana.
Rotina da família mudou
Jennifer é mãe de cinco filhos. Após o acidente, a rotina da família mudou completamente.
Os dois filhos mais velhos, de 12 e 11 anos, passaram a morar com o pai. Já os três mais novos, de 7, 6 e 4 anos, estão sob os cuidados da tia.
Adriana conta que precisou reorganizar a rotina para cuidar das crianças enquanto a sobrinha segue hospitalizada.
"Minha vida virou de cabeça para baixo desde aquela madrugada. Hoje estou com três crianças pequenas, que precisam de rotina, escola, alimentação e cuidados", disse.
O que diz a lei
Segundo o advogado trabalhista Gustavo Triboni, acidentes que acontecem durante o trabalho podem gerar responsabilidade das empresas envolvidas, mesmo quando o serviço é feito como freelancer.
Ele explica que, em atividades comuns em eventos e cozinhas — que envolvem fogo, líquidos quentes ou substâncias inflamáveis — a Justiça costuma aplicar o conceito de responsabilidade objetiva.
Nesse tipo de situação, não é necessário comprovar culpa direta da empresa.
"Basta demonstrar que o acidente ocorreu durante o trabalho e que a atividade envolvia risco", disse o advogado.
De acordo com Triboni, nesses casos a empresa responsável pela contratação pode ser obrigada a pagar despesas médicas, tratamento, indenizações por danos morais e materiais e compensação pela perda de renda durante o período de recuperação.
O especialista afirma ainda que o local onde o evento aconteceu também pode ser responsabilizado, dependendo das circunstâncias do acidente.
"Se houver relação entre o ocorrido e as condições de segurança do espaço ou a organização do evento, o estabelecimento que sediou a festa também pode responder pelo caso", ressaltou.
Segundo o advogado, quando não há suporte adequado das empresas envolvidas, a família pode buscar a Justiça para garantir os direitos da vítima.
"O processo judicial é a forma de obrigar a empresa a arcar com suas responsabilidades, garantindo o cumprimento dessas obrigações por meio de uma decisão da Justiça", disse.
O que diz o CCMC
Veja a nota do Clube de Campo de Mogi das Cruzes:
"Importante destacar que, em razão do rápido socorro prestado pela ambulância que estava de prontidão no CCMC, no evento, a colaboradora do buffet contratado para a festa atingida pela combustão inesperada foi encaminhada a devido atendimento médico de urgência e de emergência em unidade hospitalar.
A Presidência do CCMC continua acompanhando o caso dentro do que o papel institucional lhe compete.
Por fim, importante ressaltar que, em 68 anos de existência, este foi o primeiro incidente com vítimas registado no clube - algo pontual."
Relembre o caso
Jennifer Rodrigues Monteiro ficou ferida depois que um réchaud (aquecedor usado para manter alimentos aquecidos) pegou fogo durante o evento de carnaval "Abre Alas", realizado no Clube de Campo de Mogi das Cruzes, na noite de 13 de fevereiro.
Segundo relato de uma pessoa que estava na festa, o incêndio começou quando a funcionária abastecia o equipamento com álcool. O fogo se espalhou rapidamente e atingiu a trabalhadora.
Ela foi socorrida e levada para atendimento médico. Inicialmente, a Santa Casa de Mogi informou que Jennifer teve 31,5% do corpo queimado. A família, no entanto, contesta essa estimativa e afirma que a área atingida é maior.
Assista a mais notícias do Alto Tietê