Morre produtora de reportagem Fernanda Santos, da TV Globo, em acidente de carro em SP
19/03/2026
(Foto: Reprodução) Adeus à Fernanda Santos
A produtora de reportagem da TV Globo Fernanda Santos, de 53 anos, morreu na noite desta quarta-feira (18) após um acidente de trânsito no cruzamento da rua Afonso Lopes Vieira com a avenida General Penha Brasil, na Zona Norte de São Paulo.
Fernanda voltava para casa depois de uma sessão de fisioterapia quando o carro de aplicativo em que estava fez uma conversão proibida e bateu de frente com outro veículo. Ela chegou a ser socorrida e levada ao hospital, mas não resistiu.
Nascida na Brasilândia, filha de uma dona de casa e de um torneiro mecânico, construiu sua trajetória com esforço e persistência. Antes de se formar em jornalismo pela Unesp de Bauru, em 1998, trabalhou consertando caixas eletrônicos. Entrou na Globo em 2005, onde construiu uma carreira marcada pela dedicação aos bastidores da notícia.
Na produção, mas também na reportagem, encontrou espaço para viver uma de suas maiores paixões: o carnaval. Todos os anos, migrava para a cobertura das escolas de samba, onde se destacava pelo entusiasmo contagiante.
“Entrou na rádio-escuta e sempre ficou. Sempre gritava, vibrava quando alguma imagem que tínhamos obtido, entrasse no ar. Mesmo que pequena, batia palma e vibrava”, diz Walter Barroso, chefe de reportagem da TV Globo.
"Todos os dias, comíamos biscoitos juntos. Salgado ou doce, com manteiga Aviação. Uma das minhas companheiras das manhãs", se emociona Waltinho.
Fernanda Santos, de 53 anos, morreu na noite desta quarta-feira (18)
Reprodução/TV Globo
Ela era torcedora da Mocidade Alegre, mas transitava por todas as escolas, e era profunda conhecedora de todos os sambas. Ao seu lado, no carnaval ou na bancada da chefia de reportagem, sempre estava seu fiel escudeiro, o também produtor Dalton Ferreira.
"Conheço a Fernanda Santos há quase três décadas, antes mesmo de ela entrar na TV Globo. Trabalhar com ela foi a melhor e mais enriquecedora experiência profissional que tive. Inteligente, antenada e parceira fiel, amante da notícia bem apurada e com uma risada que estremecia a redação inteira. Essa foi a Fernanda Santos, uma jornalista com J maiúsculo", disse.
A Liga das Escolas de Samba também prestou homenagem, lembrando que Fernanda “conhecia cada canto do Anhembi”. Outras agremiações lamentaram a morte, como a Mocidade Alegre, campeã deste ano e que ocupava um lugar especial em sua vida.
Além do jornalismo, Fernanda também se dedicava à reflexão acadêmica e social. Era mestre pelo programa de Mudança Social e Participação Política, da USP, graduada em Pedagogia e integrava, desde 2018, o coletivo Ocareté, voltado a perspectivas de decolonização e às questões de minorias sociais.
Também colaborou na organização do livro “Ensaios sobre Racismos”, lançado em 2020, e participou de podcasts sobre temas diversos, especialmente ligados às questões raciais e de gênero, pautas que atravessaram sua trajetória dentro e fora das redações.
Fernanda deixa a mãe e três irmãos. Ainda não há informação sobre velório e enterro.
Fernanda Santos, de 53 anos, morreu na noite desta quarta-feira (18)
Reprodução/TV Globo
Despedida da jornalista Fernanda Santos